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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Ceará tem melhor avaliação do Nordeste em leitura, mas nível de insuficiente atinge 45% dos alunos

Exemplo de exercício em que as crianças manifestaram dificuldade (Foto: Reprodução/Inep)
Imagem - MEC

O Ceará é o estado do Nordeste com melhor desempenho em leitura, escrita e matemática, conforme a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Ministério da Educação (MEC). Os dados, de 2016, do ministério mostram também que o índice cearense nos três quesitos supera a média nacional. Apesar de superar os dados da região e do país, o Ceará tem 45% dos alunos com nível insuficiente em leitura (no Nordeste esse índice é de 69%); 25% dos alunos com nível insuficiente em escrita (48% no Nordeste); e 48% de insuficiência em matemática (67% na região). No país, o nível insuficiente atinge 55% dos estudantes em leitura, e 51% nos outros dois quesitos, conforme o MEC.

O estudo classifica o nível de aprendizagem em quatro níveis, de 1 a 4. Estudantes com nível de aprendizagem 1 ou 2, estão incluídos na categoria de crianças com nível "insuficiente" de conhecimento em leitura, escrita e matemática. Já os alunos que atingiram nível 3 ou 4 são considerados estudantes com nível "suficiente" de aprendizagem. Os dados contemplam alunos de 8 anos de idade que cursam o 3º ano do ensino fundamental. As crianças com nível insuficiente têm dificuldade de reconhecer figuras geométricas, o valor monetário de uma cédula e contar objetos, por exemplo. Apresenta também dificuldade para ler palavras com mais de uma sílaba e para identificar o assunto de um texto mesmo estando no título.

Presente em Brasília durante a apresentação dos dados, o governador do Ceará, Camilo Santana, afirmou que eliminar o analfabetismo é fundamental para desenvolvimento "mais justo". "Nós sabemos que para se construir um país mais justo, não há outra maneira que não seja o fortalecimento da educação. O Brasil não pode avançar sem resolver o problema da alfabetização”, disse. O secretário de Educação do Ceará e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Idilvan Alencar, defendeu a alfabetização das crianças no segundo ano, aos sete anos. "Essa questão de alfabetizar na idade certa é ponto fundamental do PNAIC. Condenar as nossas crianças a serem alfabetizadas até os nove anos de idade não existe”, alertou Alencar. "Nó Ceará, nós nunca abrimos mão da alfabetização no segundo ano, aos sete anos", finalizou.

O MEC anunciou a criação de uma Política Nacional de Alfabetização para melhorar os índices da ANA. Um das ações vai permitir a contratação professores assistentes para atuar junto com os docentes titulares, dentro das salas de aula de 1º e 2º anos do ensino fundamental, no apoio de projetos de alfabetização. Esse “apoiador” vai atuar 5h horas por semana da forma em que redes de ensino e escolas definirem. Nas unidades consideradas mais “vulneráveis”, de acordo com o governo, esses professores assistentes ficarão 10h por semana. "Este professor assistente pode até ser um professor da rede. Ele receberá um tipo uma bolsa para desenvolver essa atividade e apoiar o trabalho do professor regente. Pode ser também um professor que não esteja na rede, pode ser um aluno concluinte que faça a residência pedagógica, por exemplo. Não é o MEC que vai resolver", afirma a secretária Maria Helena Guimarães.