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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Quase triplica o auxílio doença por chikungunya: Foram 395 benefícios solicitados de janeiro a outubro de 2017, contra 133 favorecidos no ano passado

Foto - Diário do Nordeste 
Problema de saúde pública, a febre chikungunya continua afastando profissionais do trabalho em decorrência das sequelas nas articulações, levando-os inclusive a solicitar o auxílio-doença previdenciário do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). De acordo com o órgão, de janeiro a outubro deste ano, 395 auxílios-doença foram concedidos a empregados segurados e autônomos, no Ceará, quase três vezes o número de benefícios distribuídos no ano passado, que teve 133 favorecidos.

A chikungunya, assim como a dengue e a zika, é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e provoca dores nas articulações e inflamação nas mãos, punhos, joelhos e tornozelos. Segundo o Ministério da Saúde, embora não seja uma doença de alta letalidade, a chikungunya tem elevada taxa de morbidade associada à artralgia persistente, "tendo como consequência a redução da produtividade e da qualidade de vida". A fase crônica da doença, alerta, pode durar até três anos.
Só o tempo e o tratamento definirão quando o quadro clínico de Cristiano da Silva, 28, mudará. Desde maio, dores fortes acometem seus pés, pernas e cabeça. De tão agudas, elas obrigaram o cortador de tecidos a deixar o trabalho e a buscar o benefício do INSS. "Recebi por dois meses, mas no terceiro não consegui mais", conta. Atualmente, sem capacidade de voltar a atuar no emprego, ele sobrevive e sustenta a família com dinheiro do seguro-desemprego.
Segundo Patrícia Coutinho, chefe do Serviço de Reconhecimento de Direitos do INSS, as demandas de auxílio-doença por febre chikungunya têm caído no segundo semestre acompanhando a sazonalidade das arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti. Com a comprovação da doença, o valor pago através do auxílio-doença é igual a 91% da média do salário de benefício, não podendo ser inferior a um salário mínimo.
Nos primeiros 15 dias de afastamento da função é a empresa que deve arcar com o pagamento do empregado. Nesse período, o INSS deve ser contatado para a realização do requerimento administrativo e agendamento da perícia.
Na Gerência de Fortaleza, atualmente, esse intervalo dura 22 dias, segundo Patrícia Coutinho. O tempo da licença depende da gravidade do caso e pode ser prorrogado.
Para solicitar o auxílio-doença ao INSS, o segurado precisa atender a pré-requisitos, como a carência de 12 contribuições ao órgão (isenta em caso de acidente de trabalho ou doenças previstas em lei), a comprovação da doença que o torne temporariamente incapaz e o afastamento do trabalho há pelo menos 15 dias. Em caso de dúvidas, é possível contatar a central de atendimento do INSS pelo 135.
Reabilitação
No intuito de descobrir novos resultados na reabilitação de pacientes com a doença, o professor Bernardo Coutinho, coordenador do Grupo de Atenção Integral e Pesquisa em Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa (Gaipa), do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Ceará (UFC), iniciou uma pesquisa sobre a utilização da auriculoterapia, um tipo de acupuntura em pontos das orelhas, mas sem a utilização de agulhas.
"Normalmente, as pessoas relatam que não conseguem fazer as atividades de casa, ir para o trabalho ou mesmo andar direito, além de quedas de cabelo, depressão, dificuldades para dormir e estresse por causa das dores", enumera o fisioterapeuta, após a realização de mais de mil atendimentos. Os pacientes costumam apresentar dores há dois ou três meses, em média, mesmo depois do uso de anti-inflamatórios, analgésicos e até corticoides.
"A auriculoterapia é complementar ao tratamento convencional e visa a reduzir as dores e melhorar a funcionalidade do paciente de maneira mais natural", afirma Coutinho. O tratamento é composto por cinco atendimentos, uma vez por semana, com sensação de melhora já no primeiro atendimento - desde que a técnica seja executada de maneira correta e com acompanhamento profissional.
Balanço
Das 134.223 suspeitas de chikungunya informadas à Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), em 2017, 96.299 evoluíram para confirmações. Destas, 15.317 acometeram pessoas na faixa etária acima de 60 anos, em sua maioria mulheres.
De todos os 184 municípios cearenses, apenas quatro - Catunda, Pires Ferreira, Potengi e Tarrafas - não notificaram casos suspeitos da doença. A enfermidade também já vitimou 136 pessoas no Estado