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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Doutores do ABC> Em Iguatu, menina dança valsa com irmão cadeirante e vídeo tem ampla repercussão

O baile de formatura da turma Doutores do ABC do Colégio Polos, na cidade de Iguatu, no Clube Recreativo Iguatuense (CRI), foi marcado neste ano por momento de surpresa e de emoção. A aluna concludente, Maria Clara de Lavor, 6 anos, dançou a valsa na festa com o irmão, Enzo, 4 anos, portador de paralisia cerebral, que estava em uma cadeira de rodas. Ao som da tradicional valsa ‘Danúbio Azul’ de Strauss, Maria Clara conduziu com leveza e beleza a cadeira do padrinho-irmão pelo salão do tradicional clube iguatuense. Fez giros e reverência ao par. Arrancou aplausos. Emocionou a todos. O momento foi filmado por uma tia, Juliana, que postou o vídeo nas redes sociais e ‘viralizou’. Já são mais de 14 milhões de acessos.


“A decisão foi dela, que disse que somente iria para o baile se o irmão fosse o padrinho”, lembra a mãe, Débora Lavor. “Desde o início do ano que ela estava com essa ideia”.
Maria Clara escolheu a roupa do irmãozinho e recebeu dele o diploma de ‘Doutora do ABC’. “Eu gosto muito dele e queria que ele fosse o meu padrinho, queria dançar com ele para mostrar que ele pode; se não fosse ele, eu não dançaria”, disse.
“Foi algo natural, simples, e a gente nunca pensou que iria ter toda essa repercussão”, contou a avó, Irene.
Prematuro
Enzo nasceu em agosto de 2013 aos cinco meses, prematuro, em Barbalha. A mãe sofre de endometriose. Houve acompanhamento do parto e tratamento quando começaram as contrações.

Logo que nasceu, Enzo sofria de retinopatia por prematuridade e corria o risco de ficar cego dos dois olhos. O prazo era de 24 horas. Às pressas, a família conseguiu um voo comercial para Fortaleza, onde fez a cirurgia e reverteu o problema.
Depois, Enzo passou por uma cirurgia de uma hérnia. Aos 11 meses de vida, novos problemas: embolia pulmonar, 21 paradas cardiorrespiratórias, passou por hemodiálise e teve ‘sopro’ no coração, além de longa internação na UTI.
“Com fé em Deus, estamos vencendo”, disse Débora Lavor. “Já enfrentamos muitas dificuldades”. Até recentemente a alimentação do Enzo era por meio de uma sonda.
Tratamento no Cariri
No início deste ano, a família conseguiu na Justiça, a concessão de uma liminar, que assegurou tratamento por meio de um plano de saúde em Juazeiro do Norte.
O tratamento é feito de segunda-feira a sexta-feira, em Juazeiro. “A gente pega o ônibus circular e ele vai na cadeira de rodas”, contou a avó. Há um tratamento especializado com fisioterapia neurológica e equoterapia.
Avanço
Hoje, Enzo já apresenta mais firmeza no corpo e interage com os pais e a irmã, Maria Clara, que sempre mostrou esperança na melhoria do irmão. “A gente pensava que ele não iria resistir, mas ela sempre dizia que ele iria vencer”, recorda, emocionada, a avó.
Dificuldades

A família enfrenta dificuldades para manter o tratamento especializado de Enzo e teve que se dividir. Há uma casa em Iguatu, onde mora, os pais, Bruno e Débora, que são servidores públicos municipais, com a filha, Maria Clara.

Outra casa foi alugada na cidade de Crato, mais próximo a Juazeiro do Norte, onde é oferecido o tratamento especializado.
Os avós de Enzo, Miguel e Irene, decidiram morar na cidade do Crato para possibilitar o tratamento ao neto. “O Enzo sente saudades do pai, febre emocional, quando ele está próximo de ir passar o fim de semana”, contou a avó. “A médica queria que ele estivesse mais próximo do pai, mas não é possível”.
O pai, Bruno, explica que não é possível viajar todos os fins de semana por causa do elevado custo.
Cadeira de roda
A família fez um bingo para aquisição da atual cadeira de rodas, mas o equipamento já está pequeno. “A médica disse que é preciso uma nova cadeira, maior”.
Ajuda
Quem quiser ajudar a família pode entrar em contato com a mãe de Enzo, pelo telefone: (88) 98858.8860