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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Com a saída do PR, oposição a Camilo Santana perde força para a disputa eleitoral no Estado

jornal
Diário do Nordeste 
O ingresso do PR (Partido da República) no bloco governista cearense, deixa nocauteada a já fragilizada oposição cearense, cambaleante desde a saída do PMDB, do senador Eunício Oliveira, o nome da esperança dela para fazer frente à candidatura de Camilo Santana (PT) à reeleição. O PR tem uma expressiva bancada federal, lhe garantindo, portanto, um bom tempo de rádio e televisão para a propaganda eleitoral, o "filé" de uma campanha. A oposição ao Governo com a perda do PR não sucumbe. Afinal, sempre é considerável o número de eleitores desejosos de mudanças. Está em campo uma pesquisa, muito ampla, confirmam integrantes do PSDB, o seu principal interessado.
Ela será o norte dos tucanos, e, por extensão, os demais dirigentes dos partidos contrários à reeleição do governador. Só após a sua conclusão e percuciente análise do seu resultado, é que o PSDB manifestará sua posição na disputa sucessória estadual cearense. Isso não acontecerá antes do início do mês de abril, coincidentemente com o fim do prazo das novas filiações partidárias (7 de abril), quando aclarado, também, estará o quadro da eleição presidencial, no entender de alguns políticos, o definidor de parâmetros para as disputas estaduais.
Foram despendidos muitos esforços, dentro e fora do PR, para deixar o comando do partido com qualquer dos seus integrantes defensores de uma candidatura a governador de oposição ao atual. Venceu a deputada Gorete Pereira pela sua força pessoal como deputada federal, e a ajuda externa, atribuída ao senador Eunício Oliveira, também dos mais interessados na fragilização do grupo oposicionista a que pertenceu até bem pouco, posto ter mais facilidade na sua luta pela reeleição.
Suporte
O presidente do Congresso, pela importância do cargo, recebe atenção especial dos dirigentes nacionais das agremiações partidárias. O senador tem restrições ao Capitão Wagner, nome apontado para ser candidato ao Governo do Estado, conforme relatou a uma importante figura da política local filiada ao PR.
Os dirigentes nacionais do Partido Republica, pelo resultado final conhecido, não levaram a sério uma provável candidatura do Capitão Wagner ao Governo do Estado, como foi propalada ao longo desta semana. Ela parecia, realmente, um suporte à pretensão do grupo indisposto com a deputada Gorete Pereira, pelas suas ligações com Camilo. Se Wagner tem-se comprometido em ficar no partido e por ele comprometer-se a disputar uma vaga de deputado federal, como realmente ele o fará, com chance de eleger com o restante de sua votação um outro deputado, por certo não teria sido a Gorete a vitoriosa.
A mudança de posição do PR cearense, abstraindo-se as consequências eleitorais que dela possam resultar, é, sem dúvida, mais uma das aberrações do mundo partidário brasileiro. As agremiações nacionais, em meio a toda repulsa da sociedade, conhecida pelas mais diversas manifestações públicas, continuam sendo o meio para a maioria dos seus integrantes tirar proveito. E as tetas do Governo são o ponto mais atraente para todos eles.
As vezes o governante não precisa fazer esforço algum para receber a adesão de um pseudo outrora adversário. Este quer estar no Governo a qualquer preço, por isso persegue, até de certa forma afrontosa, a sombra do Poder. A campanha anterior, onde muitas vezes trocam os mais diversos insultos, é coisa do passado. Fica no esquecimento como se nada houvera acontecido, nos palanques e fora deles.
E quando é o prefeito, o governador ou presidente que busca o aliciamento, aí o ex-adversário acha que chegou ao Céu. Gorete está chegando ao lado do Governo deixando um colégio eleitoral de Maracanaú que lhe renderia, provavelmente, 20 mil votos nas eleições deste ano. Em 2014 ela teve lá próximo de 17 mil sufrágios.
Surpreendeu
A manifestação do deputado federal Danilo Forte (DEM), nesta semana, defendendo uma intervenção federal na área da Segurança do Ceará, surpreendeu o governador e seus correligionários. Danilo era um aliado do governador, conseguiu abrir portas para Camilo Santana em alguns órgãos da administração federal e de um certo tempo até aqui tinha acesso fácil ao Palácio da Abolição.
Ele chegou a indicar o atual secretário das Cidades, Jesualdo Farias, hoje um seu provável concorrente, por estar sendo apontado como candidato a deputado federal. Com a surpresa pelo posicionamento do deputado, cujo partido no Ceará apoia Camilo Santana, surgem as especulações para a sua motivação.
Para alguns, uma das razões seria o protagonismo do senador Eunício Oliveira. O senador está fazendo para a administração estadual, dizem alguns governistas, mais do que fizera Danilo quando Eunício ainda era opositor do chefe do Executivo cearense.
O deputado aponta outras razões para defender a intervenção federal na Segurança do Estado. Ele diz de uma pesquisa em curso pelo seu gabinete, com resultados amplamente favoráveis à medida. Depois, ele fala de uma nova postura do seu partido, com as mudanças que se oficializarão com a renovação da direção nacional do DEM e os propósitos do partido para daqui em diante. O DEM, segundo ele, não vai "participar desse condomínio do PT e PMDB" cearense. Ele garante estar conversando sobre o afastamento de integrantes do partido do Governo Camilo Santana, com os dirigentes da sigla no Ceará