Oito suspeitos de assassinar líderes do PCC identificados

 Clique sobre a imagem para ampliar e ver os detalhes
Um duplo assassinato cercado por mistérios e interesses milionários teve reveladas, nessa sexta-feira (2), informações acerca das investigações feitas pelas autoridades cearenses. Passadas pouco mais de duas semanas das mortes de Rogério Jeremias de Simone, o ‘Gegê do Mangue’, e Fabiano Alves de Souza, o ‘Paca’, ambos integrantes da cúpula da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), a Polícia Civil divulgou os nomes dos responsáveis pelas mortes. Dos mandados de prisão expedidos pela Justiça do Ceará, oito são contra suspeitos de participar da morte múltipla e quatro destinados aos ‘laranjas’, que faziam a lavagem de capitais permitindo reiteradas compras luxuosas em benefício dos traficantes executados.

Conforme o titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, os homicídios foram ordenados por Gilberto Aparecido dos Santos, o ‘Fuminho’. Braço direito de Marcos Willians Herbas Camacho, líder do PCC conhecido como ‘Marcola’, a suspeita é que ‘Fuminho’ teria acatado a ordem das mortes devido a um desentendimento interno entre os faccionados, motivado pelos altos gastos de ‘Gegê’ e ‘Paca’.
As investigações realizadas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) mostraram que para a consumação dos assassinatos, além de ‘Fuminho’, participaram outros homens. As imagens obtidas em um hangar no Eusébio, de onde decolou a aeronave que transportou as vítimas, mostraram aos policiais que outros sete suspeitos estão envolvidos.
Felipe Ramos Morais, o piloto; Wagner Ferreira da Silva, o ‘Cabelo Duro’; Carlos Santos; Erick Machado Santos, ‘Neguinho Rick da Baixada’; André Luís da Costa Lopes, ‘Andrezinho da Baixada’; Ronaldo Pereira Costa; e Tiago Lourenço de Sá de Lima, o ‘Tiririca’, são os nomes dos homens ligados diretamente aos homicídios. Erick Machado é tido pela Polícia paulista como mentor da morte de vários PMs naquele estado.
Dos sete, seis permanecem foragidos. Isso, porque, ‘Cabelo Duro’ foi morto no último dia 22, na porta de um hotel, na capital paulista. Para o Ministério Público de São Paulo a execução foi uma “queima de arquivo”. 
Já os laranjas foragidos são: Francisco Cavalcante Cidrão Filho, José Cavalcante Cidrão, Samara Pinheiro de Carvalho, Magda Enoé de Freitas, Emerson Pinheiro de Carvalho e uma mulher identificada apenas como 'Hadclecya'. 
Dinâmica
Os passos dos criminosos durante os dias que antecederam o ataque cinematográfico mostram que houve um alto investimento financeiro. André Costa detalhou que parte dos executores chegou ao Estado dias antes dos assassinatos.
“O piloto chegou aqui no dia 9 e ficou em um hotel no Cumbuco. Na madrugada de 13 para 14 os executores chegaram e fizeram check-in em um flat na Beira-Mar. A aeronave foi trazida por um outro piloto”, disse Costa.
O helicóptero mencionado pelo titular da SSPDS é um monomotor com capacidade para seis passageiros, além do piloto. A Polícia Civil do Ceará informou que a aeronave foi recebida por Felipe Morais. No entanto, a compra foi negociada por ‘Cabelo Duro’.
“Descobrimos qual era a aeronave por meio de perícia no local do crime. Ela é avaliada em R$ 3 milhões, foi comprada pelo Wagner e colocada em nome de um terceiro”, contou o secretário.
Por meio de consulta na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) foi verificado que o helicóptero está em nome de Paulo Fabrício Simão e em situação de reserva de domínio, contrato semelhante ao de uma alienação. A aeronave foi negociada em setembro de 2017, em nome da empresa JM ADM de Bens M E Imóveis, que pertence a um homem de 57 anos, judicialmente interditado desde 2008. 
O monomotor foi apreendido pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, no Interior do Estado e periciado nessa sexta-feira (2). Conforme informações do Deic, não foi encontrado sangue no helicóptero.
A ausência do material corrobora a afirmação feita pelo delegado titular da Draco, Harley Filho “tão logo as vítimas desceram da aeronave foram alvejados com tiros de pistolas calibre nove milímetros”, disse ao ressaltar que policiais do Deic estiveram no Ceará repassando informações para um trabalho em conjunto.
André Costa lembrou que, provavelmente, não houve nenhuma simulação de pane durante o voo para emboscada. Porém, o secretário lembra que mais detalhes acerca do que aconteceu no trajeto só devem ser descobertos quando o piloto foragido for localizado e tiver o depoimento colhido.
“A outra testemunha que estava dentro da aeronave está morta. Quem levou o corpo para a mata acreditou que tão cedo não fossem encontrados. Para nós, tudo indica que o piloto Felipe é um suspeito. Nem plano de voo tinha. Mesmo se ele não soubesse que o crime ia acontecer, testemunhou tudo e sequer fez uma denúncia anônima para relatar”, lembrou o titular da SSPDS.
Bens
Ao falar dos bens materiais de valores milionários adquiridos no Ceará, a Secretaria comunicou, oficialmente, que ‘Gegê do Mangue’ e ‘Paca’ residiam no Estado sem levantar suspeitos há, pelo menos, um ano, como adiantado com exclusividade pelo Diário do Nordeste
. Dentre carros e casas de luxo, a dupla investiu, cerca de, R$ 8,6 milhões.
Um dos amigos próximos da dupla era Claudiney Rodrigues de Souza, também integrante do PCC, e um dos traficantes mais procurados pela Interpol. Conhecido como ‘Cláudio Boy’, Souza foi preso poucos dias depois do duplo homicídio, enquanto tentava desembarcar de um voo comercial, em São Paulo. 
Nessa sexta-feira (2), a SSPDS divulgou imagens de 'Cláudio Boy' utilizando um dos veículos de luxo de ‘Gegê do Mangue’ e entrando no condomínio Alphaville, em Aquiraz, onde a vítima morava.
A Draco afirmou investigar se Claudiney Souza teve participação nas mortes. Segundo o secretário, nos próximos dias, uma equipe de policiais do Ceará deve ir até o presídio de segurança máxima de Minas Gerais para interrogar o traficante
por Emanoela Campelo de Melo - Repórter