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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Cearense morador do prédio que desabou no Centro de São Paulo pede ajuda para voltar para Rusas

José diz que tem pouco para comer (Foto: Kleber Tomaz/G1)
José diz que tem pouco para comer (Foto: Kleber Tomaz/G1)

Moradores do prédio que pegou fogo e desabou no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, dormiram na rua na madrugada desta quarta-feira (2) e enfrentaram frio, fome e furtos. Alguns se recusaram a ir a abrigos porque dizem que não são moradores de rua e querem uma moradia fixa. O prédio era ocupado por 372 pessoas, de 146 famílias, segundo o Corpo de Bombeiros. Ao todo, 320 pessoas foram cadastradas como desabrigadas após o incêndio e 40 delas

buscaram atendimento na assistência social. Quarenta e quatro pessoas ainda não foram localizadas – não se sabe se elas estavam no local do acidente. Apenas um homem é considerado desaparecido. Os bombeiros tentavam resgatá-lo quando o imóvel ruiu.

Segundo a Cruz Vermelha, cinco toneladas de doações foram arrecadadas. Os itens já são suficientes para atender as famílias, diz a entidade, e o excedente irá para outras ações assistenciais.

“Furtaram meus sapatos e minha bolsa”, disse Rilthon Kelce Maia Brandão, de 53 anos, morador do "prédio de vidro", como a edificação ocupada irregularmente era chamada.
O cearense que deixou a cidade Russas há cinco meses para "tentar melhorar a vida" na capital teve calçados e roupas levados enquanto dormia ao relento.
Acordado pelo barulho da porta de ferro da padaria próxima, ele se levantou enrolado em uma coberta que recebeu de doação. Agora, sem moradia, pede ajuda a uma tia em Fortaleza para voltar ao estado onde nasceu.

Vestido com a camisa do São Paulo e cobertas, José Carlos de Jesus, 30, se alimentou com maçãs e água, doados à Assistência Social e repassados a quem ficou dormindo no Largo do Paissandu, vizinho ao edifício que caiu.
Quem fez o cadastro na prefeitura à espera de uma nova moradia reclama da falta de indicação de local para ir.
“Estamos eu, a mulher e as crianças na rua. O cachorro morreu”, disse José Carlos de Jesus, 30, enrolado numa coberta para se proteger do frio.
Alguns conseguiram barracas, que foram armadas em frente à Igreja da praça. Não foi o caso de Neuza de Souza, 55, que recebeu ajuda da filha para se proteger do frio. Elas dormiram no chão gelado lado a lado, enroladas em cobertas.

A mulher ainda se lembra de como escapou do prédio que ruiu após pegar fogo. “Ouvi gritaria, povo correndo. Deu um estrondo no quinto andar”, disse Neuza.
s causas do incêndio ainda estão sendo apuradas pelas autoridades. Bombeiros e peritos trabalham com as hipóteses de explosão (alguma faísca após vazamento de gás), problemas elétricos (curto circuito) e até criminoso (uma pessoa poderia ter ateado fogo em álcool após briga).