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sábado, 26 de janeiro de 2019

"Não vamos ceder", diz secretário da Administração Penitenciária no Ceará

           Foto: Larissa Feitosa
Vinte e cinco dias de um janeiro que parece não ter fim - e contando. O Ceará que vive sob ataques desde a declaração do secretário da Administração Penitenciária (SAP), Luís Mauro Albuquerque, de que "não reconhece facções" no Estado segue sem perspectivas de quando a rotina e a segurança voltarão ao normal. Porém, em entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares, concedida ao jornalista Roberto Moreira, o titular da Pasta garantiu: "o Estado tem o controle total".



Desde o dia 2 deste mês, já são mais de 250 ataques criminosos contra ônibus, carros, prédios públicos e comércios em 50 municípios cearenses, com início em Fortaleza, se espalhando para a Região Metropolitana e diversas cidades do interior. Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 430 pessoas já foram detidas por envolvimento nas ações.

As prisões, aliás, são apenas uma das formas de resposta ao crime organizado, de acordo com Luís Mauro. Para o titular da SAP, o conjunto de medidas adotadas pelo Governo do Ceará representa um "endurecimento" para "colocar uma lógica e reorganizar o sistema", sobre o qual "o Estado tem controle total, entra a qualquer hora, está lá dentro o tempo todo". De acordo com o secretário, a situação das unidades prisionais cearenses está "dentro da normalidade", negando a existência de maus-tratos aos internos, denunciada por familiares à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE).
O titular da Administração Penitenciária comentou ainda sobre apreensões de dispositivos eletrônicos nas unidades prisionais, reforço da segurança e investigações, além de desmentir boatos e reafirmar que vai permanecer sob o comando da SAP.

Qual a situação atual dos presídios do Ceará? Os internos já estão recebendo visita?
A situação está dentro da normalidade. Algumas unidades estão recebendo visitas, outras não. Estamos visualizando isso. Onde está tendo alguma movimentação de (os internos) quererem dar comandos para a rua, através dos visitantes, não tem, estão suspensas até terminarem os ataques.

Quais as mudanças nos presídios?
Os procedimentos mudaram, foi retirado um monte de regalias: mais de 1.300 televisões, rádios e estamos batendo a faixa de 2.500 celulares. Além disso, tiramos a eletricidade das celas, para eles não conseguirem recarregar os celulares, se entrarem - porque existem várias formas de entrar. Fizemos isso também para não eletrificarem as celas e usarem contra o agente. É um trabalho longo.

Já foi descoberto quais servidores facilitavam a entrada desses aparelhos nas unidades?
Não é o servidor o principal (foco) desse tipo situação, estamos estudando a forma como esses aparelhos entravam. Estamos investigando. Se houver desvio de conduta, vai ter resposta. Quem tem desvio de conduta vai responder pelo fato.
Os presos e membros de facções que estão provocando os ataques dizem que o alvo de tudo é o senhor. Essa informação é apenas um pano de fundo?
É, realmente. É igual quando presos fazem rebelião pedindo melhorias, mas a primeira coisa que destroem é enfermaria, cozinha, queimam colchão, tudo o que usam. Você acha que realmente estão pedindo alguma melhoria ou falando de questão de opressão? É só um pano de fundo, porque quanto pior, melhor. Quando o Estado começa realmente um enfrentamento, sempre vai haver isso, porque estamos combatendo vários interesses. Eles estão perdendo dinheiro, não vão mais ganhar dinheiro dentro do sistema. É lógico que eles vão inventar alguma coisa. Agora, estão falando que todo dia apanham. É brincadeira esse tipo de situação. O errado não é combater o crime, é ele existir dentro da unidade prisional. E vamos continuar combatendo.

Surgiram boatos de que o senhor estaria saindo da SAP, e de que facções estavam novamente escolhendo em que unidade prisional ficar. Isso chegou ao conhecimento do senhor?
Chegou. Tranquilamente, isso não aconteceu. Temos sorte de ter um governador corajoso. Em momento algum ele sequer pensou em recuar, nem pra pegar impulso. Nós não vamos ceder, vou continuar fazendo o trabalho. Nós vamos vencer. Porque o Estado é o mais forte de todos e não vai se sujeitar ao crime.

Quanto ao reforço de agentes penitenciários para o Ceará, está vindo de onde?
De vários estados. Estou esperando mais um reforço do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), espero que eles mandem, porque essa é a hora para a gente conseguir fazer isso mais rápido. São profissionais de primeira linha, de sistemas penitenciários do Brasil todo. Para se ter uma ideia, temos agentes do Nordeste todo reforçando aqui. Profissionais que já trabalham comigo, pessoas especialistas, acostumadas com esse tipo de ação. E virão mais pessoas. Os novos agentes chamamos estão imbuídos todos os dias dentro das unidades para implantar procedimentos, cobrar a lei, não dar espaço para o crime ganhar dinheiro dentro das unidades.

Em quanto tempo o senhor acha que tudo volta à normalidade no Ceará?
Isso é difícil de falar. Eu sei é que toda vez que tiver uma ação criminosa, vai ter uma reação maior do Estado: quanto mais eles fizerem, mais a gente vai endurecer dentro do sistema penitenciário. Se estão fazendo isso para tentar me inibir e me intimidar, não vão conseguir. O Estado é maior do que isso. O direito das pessoas de bem é maior do que tudo isso. Isso estou falando por mim, por conta e risco.

Após quase um mês de ataques, que mensagem o senhor envia ao povo do Ceará?
Nós não vamos recuar. Quem mais sofre é a população, não só agora com ataques, mas todos os dias quando (os cidadãos) são assaltados, massacrados, exterminados por esses bandidos, que se falam defensores não sei de que. Não passam de quadrilhas, e estão sendo combatidas dentro do sistema penitenciário. A resposta é imediata: dá para ver o tanto de pessoas que estão sendo presas. Pode ter certeza, em meu nome, que a gente não vai recuar e vai vencer essa guerra.



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