quarta-feira, 27 de setembro de 2017

SERTÃO DE CRATEÚS - A expectativa no Lago de Fronteiras é grande

Foto: Luanna Leitão
A Bacia Hidrográfica dos Sertões de Crateús apresenta o menor nível no Ceará, 0,6%. Moradores desta cidade e de outros municípios da região (Independência, Novo Oriente e Quiterianópolis) enfrentam crise hídrica que deve se agravar nos próximos meses. Três décadas se passaram sem que o projeto da barragem Lago de Fronteiras, no Rio Poti, saísse do papel.
Em meio à maior crise hídrica que o Ceará enfrenta nos últimos cem anos, dribles políticos e atraso no projeto, os moradores estão divididos entre os que acreditam na retomada da obra e os que desconfiam da "novíssima promessa" de construção da barragem, que é considerada a redenção para a crise de abastecimento que castiga a região.

Problema histórico
As regiões dos Sertões de Crateús e dos Inhamuns são uma das mais afetadas por escassez de recursos hídricos, no Ceará. É um problema secular, que se agrava com o crescimento dos centros urbanos. Nos anos de 1980 e 1981, Crateús enfrentou grave crise hídrica e a solução foi o transporte de água em vagões de trem a partir de Sobral. "Os açudes secaram e o jeito foi trazer água de longe", relembra o economista e agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ematerce), Antonio Pereira de Souza.
Hoje, a crise de abastecimento só não é maior graças à adutora do Açude Araras, em Varjota, no Norte do Estado, distante mais de 60km. "Aqui, os açudes secaram e a salvação tem sido a adutora, poços e carros-pipa", disse o secretário de Agricultura do Município, Edilson Freitas.
Esperança renovada
Edilson Freitas avalia que, até a sexta-feira (22), quando ocorreu a assinatura de ordem serviço para a retomada da obra, no auditório do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), em Crateús, a maioria dos moradores estava descrente. "A presença de autoridades renovou a expectativa do povo", disse Freitas.
O ato na cidade contou com a presença do presidente do Senado, Eunício Oliveira; ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho; diretor geral do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), Ângelo Guerra, e lideranças políticas locais. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Maria de Fátima Gomes, disse que há muitas pessoas que não acreditam mais nos políticos. "São muitos anos de espera", ponderou. A dirigente sindical ressaltou a importância da obra para a região e demonstrou preocupação com os valores de indenização, o reassentamento das famílias atingidas pela construção da barragem e os projetos produtivos anunciados.
O secretário Edilson Freitas afirmou que 45% dos atingidos pela obra já teriam recebido a verba indenizatória. "Há duas opções: assentamento ou indenização", explicou. O distrito de Poti, onde moram 500 famílias, será coberto pelas águas.
Obras
Há cerca de um mês, máquinas trabalham na área, fazendo limpeza; e os técnicos do Dnocs visitam as propriedades rurais, fazendo levantamento. A previsão inicial de investimento do governo federal é de mais de R$ 182 milhões na construção da barragem. O projeto prevê abastecimento, irrigação, aquicultura, lazer e controle de cheias do Rio Poti. A população beneficiada é superior a 300 mil pessoas. A obra está localizada a 60Km da cidade de Crateús.
A barragem terá capacidade para acumular 488 milhões de m³ de água. O volume destinado à irrigação vai atender a aproximadamente 5.000 hectares de produção agrícola dos perímetros irrigados Platô Poty 1 e 2, Realejo, Graça Ampliação e Novo Oriente, além de ações de piscicultura local e indústrias.