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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

General fala em possibilidade de Exército 'impor solução' para crise


Um general da ativa do Exército falou por três vezes na possibilidade de intervenção militar, nesta sexta-feira, após o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciar pela segunda-vez o presidente Michel Temer por participação criminosa e obstrução da justiça. Antonio Hamilton Mourão, secretário de economia e finanças do Exército, afirmou que "ou as instituições solucionam o problema político", retirando da vida pública políticos envolvidos em corrupção, ou então o Exército terá que impor isso. “Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso”, disse o general Mourão.






O general afirmou no início da palestra que o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, definiu um tripé para a atuação do Exército diante da crise pela que passa o país. "Primeira coisa, o nosso comandante, desde o começo da crise, ele definiu um tripé pra atuação do Exército. Então eu estou falando aqui da forma como o Exército pensa. Ele se baseou, número um, na legalidade, número dois, na legitimidade que é dada pela característica da instituição e pelo reconhecimento que a instituição tem perante a sociedade. E número três, não ser o Exército um fator de instabilidade, ele manter a estabilidade do país”, contou. A palestra, de cerca de duas horas, foi promovida por uma loja maçônica de Brasília. O general falou sobre uma possível intervenção militar ao responder uma questão formulada pela organização do evento, que dizia que "a Constituição Federal de 88 admite uma intervenção constitucional com o emprego das Forças Armadas".

"Excelente pergunta. É óbvio, né, que quando nós olhamos com temor e com tristeza os fatos que estão nos cercando, a gente diz: 'Pô, por que que não vamo derrubar esse troço todo?' Na minha visão, aí a minha visão que coincide com os meus companheiros do Alto Comando do Exército, nós estamos numa situação daquilo que poderíamos lembrar lá da tábua de logaritmos, 'aproximações sucessivas'." De acordo com o Mourão não há uma "fórmula do bolo" ou momento específico para uma possível intervenção militar.

"Agora, qual é o momento para isso? Não existe fórmula de bolo. Nós temos uma terminologia militar que se chama 'o Cabral'. Uma vez que Cabral descobriu o Brasil, quem segue o Cabral descobrirá alguma coisa. Então não tem Cabral, não existe Cabral de revolução, não existe Cabral de intervenção. Nós temos planejamentos, muito bem feitos. Então no presente momento, o que que nós vislumbramos, os Poderes terão que buscar a solução. Se não conseguirem, né, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução. E essa imposição ela não será fácil, ele trará problemas, podem ter certeza disso aí", disse o general.

O comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, informou por meio de nota à imprensa que o Exército está reafirmando constantemente seu compromisso de pautar suas ações na legalidade, estabilidade e legitimidade.


Ao jornal "O Estado de São Paulo", Mourão afirmou que "não está insuflando nada" e que "não defendeu, apenas respondeu a uma pergunta". Ainda de acordo com a publicação, o general diz que "não é uma tomada de poder. Não existe nada disso. É simplesmente alguém que coloque as coisas em ordem, e diga: atenção, minha gente. Vamos nos acertar aqui e deixar as coisas de forma que o país consiga andar e não como estamos".