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terça-feira, 31 de outubro de 2017

255 professores e diretores do CE foram vítimas de atentados

FOTO: CID BARBOSA
A violência que atinge o Estado tem chegado ao interior das escolas e transformado estudantes e educadores em agressores e vítimas. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2017, lançado ontem (30) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a violência sofrida por educadores pode chegar a níveis graves. Cerca de 8% dos diretores e professores no Estado afirmaram ter sido ameaçados por estudantes. Ao todo, 255 docentes (1,9% do total) chegaram a ser vítimas de atentados à vida. Os dados da pesquisa do Anuário são de 2015.

Conforme dados do relatório, 63,9% dos professores e diretores de instituições de ensino no Ceará já presenciaram agressões físicas e verbais entre alunos. Já 43,2% relataram ter visto agressões de alunos a outros professores ou a funcionários da escola.
O anuário também reúne dados sobre a presença de estudantes armados dentro do ambiente escolar. No Ceará, 5% dos educadores revelaram ter percebido alunos frequentando a escola com armas brancas, a exemplo de facas e canivetes. Já 1,4% deles flagraram estudantes portando armas de fogo na instituição de ensino (1,4% do total).
Os relatos dos docentes compilados na pesquisa revelam, ainda, práticas de consumo de álcool e drogas entre os estudantes. Quase 12% dos professores presenciaram alunos frequentando a escola sob efeito de drogas ilícitas e 4,7% presenciaram estudantes sob efeito do álcool.
"A escola é um micro-espaço, uma micro-sociedade. Tudo que a gente vê na sociedade estoura dentro da escola. Dentro do ambiente escolar existem conflitos de todos os tipos, desde os inerentes à natureza humana, aos potencializados por e efeitos externos", afirma Betânia Gomes, orientadora da Célula de Mediação Social e Cultura de Paz da Secretaria de Educação do Estado. "Um exemplo muito forte é a questão do tráfico, que acaba desaguando no ambiente escolar, gerando medo, pavor", completa Betânia.
Nas escolas da rede de ensino do Estado, a orientadora afirma que são desenvolvidas ações com foco no trabalho das competências sócioemocionais de estudantes e professores. Alguns dos temas englobados na iniciativa são resiliência emocional, amabilidade, engajamento, dentre outros. O objetivo, segundo Betânia, é transformar a escola em um espaço de convivência saudável e fazer com que essa harmonia seja levada também para a comunidade.
"Esse trabalho é realizado para que o diálogo possa acontecer e possam ser geradas estratégias para que as pessoas gerenciem conflitos e restabeleçam vínculos, sem precisar da expulsão do aluno ou da penalização do professor", afirma.
Outro projeto promovido pela Seduc com foco na cultura de paz é o "Diretor de Turma", que consiste no acompanhamento, por parte de um professor, do desempenho escolar de estudantes até o fim da etapa de escolarização. Cada educador é responsável por identificar as necessidades, fazer intervenções e promover o diálogo entre aluno, família, direção da escola e corpo docente. "O grande diferencial é ter esse professor que acompanha os alunos, que senta, percebe, diagnostica esse aluno, faz intervenções e cria relação estrita de parceria com o estudante", acrescenta a orientadora.
Mapeamento
Em 2017, cresceram os casos de violência em escolas do Estado com roubos e furtos, além da ameaça de invasão por integrantes de facções criminosas. A reportagem do Diário do Nordeste publicou matéria no último dia 17, em que uma Creche e Escola de Ensino Infantil situada no bairro Jangurussu foi alvo de oito ataques em pouco mais de uma semana.
No último dia 23, autoridades da Secretaria da Segurança Pública e da Educação se reuniram e decidiram fazer um mapeamento sobre as ações de violência em escolas do Estado. Leia mais na página 10