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domingo, 17 de dezembro de 2017

Atual governo perfurou 40% de todos os poços pelo Estado: Catarina (46); Acopiara e Salitre (37), cada; Orós (33).

Foto: Honório Barbosa
A perfuração de poços profundos nas sedes urbanas e nas áreas rurais do Interior cearense é uma alternativa para o abastecimento de água da população. No atual governo, foram perfurados cerca de 4.300, ou seja, 40% do total feito pelo Estado nos últimos 30 anos. Mesmo assim, há uma demanda de cerca de nove mil na Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra). A cada semana aumenta a reivindicação das cidades do Interior por poços profundos na Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Sohidra e Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Os pedidos são feitos no Comitê da Seca e nas reuniões regionais dos Comitês das Bacias Hidrográficas.

Os prefeitos são pressionados pelas comunidades rurais e moradores e, por sua vez, cobram do governo maior rapidez na perfuração e instalação. "Esse é um programa que avançou muito no atual governo, que adquiriu recentemente oito perfuratrizes. No total, estão em campo 18 máquinas", frisou o superintendente da Sohidra, Iury Oliveira. "Estamos enfrentando um período de seis anos seguidos de seca, o ciclo mais grave dos últimos cem anos e a água obtida em poços tem sido uma alternativa viável de convivência no Semiárido", completou.
Instalação
A perfuração de poços avançou, mas no mesmo ritmo não andou o serviço de instalação. Há muitas reclamações e a maioria decorre da zona rural. "Na sede, a responsabilidade por colocar em funcionamento é da Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) ou dos Serviços Autônomos, dependendo do órgão que opera o sistema local de abastecimento", explicou Iury Oliveira. "Na zona rural, existe uma maior dificuldade, mas fazemos convênio com as prefeituras".
O superintendente da Sohidra disse que, quando há dificuldades nos pequenos municípios, o governo assume a responsabilidade. Em vários casos, o atraso decorre da instalação de rede elétrica por parte da Enel. A empresa tem prazos legais e, mediante o crescimento da demanda, o tempo de espera extrapola, ou quando a fiação está distante dos poços.
"Sabemos da necessidade por água, que é urgente, e procuramos resolver pendências", pontuou Iury Oliveira. "Há muitos pedidos, mas nem todos são viáveis, depende da situação de cada um a ser analisada". Muitas vezes, o local não é adequado por distância ou inviabilidade de vazão. O superintendente da Sohidra acredita que, nas cidades, todos os poços perfurados já foram instalados.
O secretário Executivo da SRH, Aderilo Alcântara, mostrou, na última reunião do Sub-Comitê da Bacia do Alto Jaguaribe, que foram perfurados na região 529 poços e 123 chafarizes.
"Foram pedidos feitos nas reuniões e que foram atendidos", frisou. "O esforço do governo é para atender a demanda, que é crescente por causa da escassez de água e perda das reservas hídricas decorrentes da seca", acrescentou.
Alcântara observou que a maior parte do solo no sertão cearense é de formação cristalina, o que dificulta o acesso à água. "Muitos apresentam reduzida vazão ou água salobra, imprópria para o consumo", destacou. "Os estudos geológicos avançaram, mas há perda de poços".
O integrante do Comitê da Sub-Bacia do Alto Jaguaribe, Paulo Landim, disse que, no Município de Orós, há poços perfurados na zona rural há mais de quatro meses, mas que ainda não foram instalados. "A população é afetada e esse problema também ocorre em outras cidades", ressaltou.
A Sohidra perfurou, em 2015, 1.200 poços. Desde 2012 que o número de poços perfurados é crescente. Naquele ano, foram 261. Em 2013, foram 336 e em 2014, 594. Além do órgão, que faz o serviço diretamente ou contrata empresas, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Cagece, Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Ceará (Cedec), a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), SRH, prefeituras, Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) realizam ações isoladas e em conjunto de escavação de poços.
Cerca de 80% do subsolo do sertão cearense têm como substrato as rochas cristalinas, que além de desfavorecer o acúmulo de água, apresentam problema de qualidade, com alto índice de salinidade. "Daí a necessidade de ampliar e melhorar os estudos geológicos para reduzir a quantidade de poços perdidos por vazão insuficiente e de aquisição de dessalinizadores para viabilizar o consumo", observa o geólogo, Joaquim Feitosa.
Vazão reduzida
Nos últimos cinco anos, milhares de poços foram perfurados no Interior e, devido à urgência para atender a pressão da demanda por água em centros urbanos, também cresceu o índice de poços inviáveis por apresentar vazão reduzida. A taxa de perda, segundo a SRH, varia entre 20% e 30%. Em 2015, por exemplo, na cidade de Parambu foram perfurados, em uma primeira tentativa, 20 poços que não apresentaram vazão suficiente. Em Catarina, o índice de unidades sem água também foi elevado.
As paisagens urbanas das cidades do sertão foram modificadas pela seca. Em praças, nas ruas e calçadas poços profundos são perfurados em uma ação emergencial para socorrer os moradores com abastecimento de água. Outros passam por limpeza e são reativados. A água oriunda do subsolo é interligada aos sistemas de tratamento e distribuição da Cagece (Estado) ou do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), que são autarquias municipais.
Mais pedidos
Na última reunião deste ano do Comitê da Sub-Bacia Hidrográfica do Alto Jaguaribe, na cidade de Iguatu, realizada no auditório do Escritório Regional do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae-CE), sob a coordenação da Cogerh, os integrantes voltaram a reclamar a necessidade de instalação de poços profundos em localidades rurais e mostraram gravidade na falta de água para abastecimento de comunidades rurais em diversos municípios.
Os números apresentados pela SRH no encontro evidenciam a gravidade da escassez de água e o esforço para encontrar alternativa de abastecimento da população. Em Campos Sales, por exemplo, foram perfurados 133 poços; Catarina (46); Acopiara e Salitre (37), cada; Orós (33).
"A situação é tão grave em Campos Sales que somente na sede urbana foram perfurados 68", pontuou Alcântara. "Estamos abertos a receber demandas sobre esses poços perfurados e não instalados para que possamos buscar em conjunto uma solução", comprometeu-se o secretário executivo.
Diversos participantes solicitaram a perfuração e instalação de poços profundos. "Há necessidade urgente na Vila São Pedro, zona rural de Jucás", disse Alcides Duarte. "O SAAE perfurou, mas sozinho não tem condição de instalar", explicou.
A aposentada do SAAE Maria Nascimento lembrou que, na Vila Acampamento, no Sítio Jiqui, e em outras localidades na Bacia do Açude Orós, na zonal rural de Quixelô, há necessidade de poços com urgência. "A situação é grave", frisou. Em Tarrafas, além de duas escolas, foram apresentados pedidos de instalação de poços para os sítios Escondido, Boa Vista e Oitis. "Até hoje, não foram instalados", disse o agricultor Antonio Genúbio
por Honório Barbosa - Colaborador