sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Exército começa vistoria em caminhões da Operação Pipa em Mombaça.

Foto: Cid Barbosa
O Exército, por meio de três quartéis sediados em Fortaleza, começou a realizar neste ano o trabalho de vistoria dos caminhões que integram a Operação Pipa, que tem por objetivo distribuir água potável para os moradores de localidades do Interior, que sofrem com a crise hídrica atual. Na manhã dessa quinta-feira, 115 caminhões pipas participaram, nesta cidade, do serviço de vistoria que inspeciona as condições dos veículos: documentação, sistema elétrico, freio, pneus, limpeza dos tanques, vedação, existência de ferrugem, chaves e outros equipamentos obrigatórios. Os veículos que abastecem áreas do Sertão Central retiram água do Açude Orós, o segundo do Ceará, que está com 5,8% de sua capacidade total.

De acordo com o presidente da Associação dos Pipeiros do Ceará, Eduardo Aragão, a inspeção do Exército é realizada regularmente de três em três meses. "Os veículos são contratados por sorteio em três quartéis do Exército em Fortaleza porque a procura por participar da Operação Pipa é elevada", pontuou. "Aqueles selecionados são vistoriados". Caso o veículo não seja aprovado na inspeção, é convocado o carro reserva, que ficou em segundo lugar no sorteio.
Rastreamento
Aragão defende o trabalho permanente de vistoria para evitar problemas futuros de acidente ou de contratação de veículo em situação precária. "É um trabalho que é bom para todos os lados porque precisamos prestar um bom serviço para a comunidade", observou. Aragão frisou que o pagamento dos pipeiros está em dia, mas que ainda ocorrem imprecisões pontuais nos dados por meio do sistema de rastreamento e monitoramento GPS usado pelos veículos, o G Pipa Brasil.
Atualmente, segundo a Associação dos Pipeiros do Ceará, há cerca de 1.800 veículos cadastrados e trabalhando na Operação Pipa. No início deste ano, já houve vistoria nas cidades de Canindé e de Ocara. O trabalho prossegue por toda esta semana.
Comunidades
"As chuvas começaram agora, ainda não há água em quantidade suficiente e com qualidade para abastecer as comunidades nos pequenos e médios reservatórios", observou Eduardo Aragão. "A água dos mananciais passa por teste e precisamos de mais chuvas para melhorar a situação de abastecimento das localidades rurais".
Por enquanto, a Operação Pipa continua regularmente no sertão cearense. A suspensão parcial dos serviços depende da situação hídrica de cada município que será avaliada por responsáveis pelo programa de distribuição de água, o Exército, prefeituras e coordenadorias municipais de Defesa Civil.
As chuvas caídas nos últimos dias já deixaram muitas cisternas que captam água que escorre pelo telhado cheias.
"Foi uma bênção", disse o agricultor aposentado Francisco Gomes, da localidade de Alencar, zona rural de Iguatu. "Quem manteve a cisterna bem cuidada, as calhas limpas e corretas (intactas) já tem água para beber e o inverno agora que está começando".
Greve
Em novembro do ano passado, os pipeiros no Ceará entraram em greve. A categoria reclamava de atraso no pagamento, problemas de monitoramento pelo GPS que não registrava todas as viagens realizadas.
A paralisação durou cerca de 15 dias e, depois de uma breve negociação, os veículos voltaram a abastecer as localidades rurais do Interior cearense.
O Ministério da Integração Nacional informou que atualmente 795.539 habitantes de 127 municípios do Ceará são atendidos por 1.505 caminhões da Operação Carro-Pipa Federal. A pasta disse que não há previsão de suspensão do programa e que o abastecimento segue regularmente para o abastecimento regular das famílias.
Cedec
A Operação Carro-Pipa é dividida em dois eixos de atuação: a Federal - que atende as áreas rurais - e a Estadual - responsável pelo abastecimento das áreas urbanas, por meio da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec).
A operação Federal (áreas rurais) os recursos para o programa são do Ministério da Integração, mas a execução é de responsabilidade do Comando de Operações Terrestres do Exército Brasileiro (Coter). Já na estadual (áreas urbanas), os recursos repassados pelo Ministério da Integração são gerenciados pelo próprio estado