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quarta-feira, 14 de março de 2018

Risco de alta infestação do Aedes aegypti cai 65% no CE

Foto: Marcelino Júnior )
O primeiro Levantamento Rápido de Índice de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) de 2018 apresenta importante resultado frente a igual período do ano passado, segundo boletim divulgado ontem pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). Dos 183 municípios que realizaram o levantamento, 19, ou 10,38% do total, estão com alta infestação para o mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya e da zika, totalizando uma redução de 65,85% em comparação a 2017, quando 45 localidades estavam em situação de risco. Ao todo, 100 municípios, o equivalente a 54,64% do total, foram classificados como situação de baixa infestação, índice considerado satisfatório. Em relação a 2017, quando apenas 56 cidades estavam nessa condição, o aumento registrado foi de 44,43%. Em média infestação ou estado de alerta, por sua vez, estão atualmente 64 localidades, ou seja, 34,97% das que realizaram o levantamento.

O LIRAa considera situação de risco os municípios com Índice de Infestação Predial (IIP) acima de 4% dos imóveis vistoriados. Entre os 19 nesta condição, os piores indicadores estão em Campos Sales (14,6%), Capistrano (12,2%), Quixeramobim (11%), Canindé (10,6%) e Itapiúna (10,2%). Com IIP de 1,4%, a Capital está com média infestação, classificado dessa forma as cidades com resultados entre 1% e 3,9%. Já em situação satisfatória, estão as localidades com IIP abaixo de 1%.
Ainda de acordo com o boletim epidemiológico, os maiores focos do Aedes aegypti (61,54%) foram encontrados em depósitos ao nível do solo, como em cisternas, tambores, tanques e poços. "As pessoas acabam deixando destampados e estes locais são os preferenciais do mosquito porque ele é oportunista. Como estão na sua linha de voo ele prefere colocar seus ovos lá do que subir para locais mais altos", esclarece Ricristhi Gonçalves, técnica do controle de vetores da Sesa.
A melhora dos indicadores deste ano, segundo avalia, estão relacionados a um maior engajamento dos municípios cearenses ainda no 2º semestre de 2017. "Todos os municípios se sensibilizaram com o que tivemos no primeiro semestre do ano passado, que foi a maior epidemia do Estado. Eles criaram comitês multidisciplinares intersetoriais envolvendo todas as secretarias das respectivas administrações, o que foi importante para essa melhora dos indicadores. O Estado ainda instituiu premiações para quem atingisse os critérios para essa redução, e muitos aumentaram as visitas domiciliares", diz.
O desafio, no entanto, está em melhorar os índices dos 19 municípios com alto risco de infestação. Segundo Ricristhi Gonçalves, estas localidades receberão foco total da Secretaria da Saúde para tentar identificar as principais causas da presença do mosquito e para montar estratégias de combate.
Fatores
"Algumas delas já receberam visita da equipe técnica do governo do Estado. Entendemos que têm muitos fatores que podem estar relacionados, como a falta de água e o abastecimento irregular. Estamos enviando mil rolos de telas para cobrir os depósitos, pedimos que intensifiquem as visitas domiciliares e estamos incentivando o uso do peixe naqueles reservatórios que não tenham como finalidade o consumo humano, pois é um importante e eficaz controle biológico".