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sexta-feira, 23 de março de 2018

Suspeito confessa quatro das sete mortes no bairro Benfica em Fortaleza

Foto -SSPDS
Único suspeito preso pela Chacina do Benfica, Douglas Matias da Silva, confessou durante uma audiência de custódia ter participado de quatro das sete mortes, ocorridas no último dia nove. Com riqueza de detalhes a respeito das ações ocorridas em dois pontos do bairro, que resultaram nos assassinatos, Douglas Silva disse ter agido em companhia de outros dois comparsas. O preso afirma ter participado dos assassinatos de Carlos Victor Meneses Barros, 23, e de Adenilton Silva Ferreira, 24, executados na sede da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), localizada na Vila Demétrio; e também das mortes de Pedro Braga Barroso Neto, 22, e Emilson Bandeira de Melo Júnior, 27, ocorrida na Rua Joaquim Magalhães.

Douglas Silva nega, porém, que tenha participado do tiroteio na Praça da Gentilândia, que deixou outros três mortos. O ataque aconteceu simultaneamente às ações que o suspeito confessa ter envolvimento. Na praça morreram José Gilmar Furtado de Oliveira Júnior, 33; Antônio Igor Moreira, 26; e Joaquim Vieira de Lucena, 21.
Para a Polícia Civil, a negação do suspeito demanda maior aprofundamento das investigações. Conforme os autos, Douglas Matias reiterou ser integrante da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) e ter comprado as armas utilizadas na chcina em um grupo de WhatsApp da organização criminosa.
A motivação para o crime não foi informada por ele. Após a audiência, o suspeito teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva.
Investigação
Por meio da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a titular da 5ª Delegacia, Ruth Vasconcelos Benevides, destacou que os laudos cadavéricos das vítimas ainda não foram entregues pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), mas, quando forem recebidos pela Especializada, devem ser indexados ao inquérito.
Conforme a DHPP, outras duas pessoas baleadas na Chacina do Benfica seguem hospitalizadas. Uma delas está em coma induzido, devido a uma lesão na nuca provocada por arma de fogo. A outra foi submetida a uma cirurgia no abdômen. Por conta dos quadros clínicos que enfrentam, os sobreviventes ainda não foram ouvidos.
Três das quatro pessoas que teriam sido mortas por Douglas Silva, não tinham antecedentes criminais, de acordo com a Polícia Civil. Apenas Pedro Braga respondia por dois roubos e uma associação criminosa.
Os dois comparsas citados pelo preso são Francisco Elisson Chaves de Souza e Stefferson Mateus Rodrigues Fernandes. Ambos respondem pelos crimes de roubo e furto de veículos, receptação e tráfico de drogas.
Executado com 10 disparos de arma de fogo, José Gilmar Júnior, um dos mortos na Praça da Gentilândia, cometeu um assalto, no ano de 2010, em companhia de Stefferson Fernandes. Segundo informação concedida por um policial civil, com exclusividade ao Diário do Nordeste, a chacina não teria relação com brigas de torcidas, mas com um racha entre antigos amigos.
Prisão
Contra Douglas Matias já havia um mandado de prisão em aberto, pelo cometimento da morte de um jovem de 18 anos, também na Praça da Gentilândia.
Sua captura aconteceu dois dias depois da matança, após o recebimento de denúncia anônima afirmando que o veículo utilizado nos ataques, um Fiat Punto, da cor branca, visto no momento das execuções, estava escondido em um prédio de luxo, no bairro Meireles.
O suspeito foi encontrado pela Polícia trancado no quarto de um dos apartamentos do imóvel, que seria da sua namorada. Nos autos consta que "ao perceber a presença dos agentes de Segurança Pública, o indiciado resistiu à prisão e tentou fugir, ocasião em que foi imobilizado e posteriormente conduzido à sede da DHPP". No apartamento havia armas e munições. Com o suspeito foi encontrada uma carteira de motorista falsa em nome de Alexandre Garcia.
Placas clonadas
Em depoimento, a namorada de Douglas Silva disse que o Fiat Punto, que estava com placas clonadas, foi comprado uma semana antes do crime. A mulher afirmou não saber que a placa do carro era 'fria', mas ressaltou ter ciência que o namorado já havia sido preso e era da GDE.
Segundo a DHPP, demonstradas a autoria e a materialidade delitiva, o preso foi indiciado por homicídio, receptação, falsidade ideológica, uso de documento falso e resistência à prisão. Francisco Elisson Chaves e Stefferson Mateus Rodrigues seguem foragidos