terça-feira, 3 de abril de 2018

Chuva volta ao Cariri e realimenta a esperança

Se no mês de março as chuvas ficaram bem abaixo de sua média histórica, abril começou animando a população, sobretudo no Cariri cearense. Entre 7h de domingo e 7h de ontem, choveu em 138 municípios, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O maior volume foi registrado em Caririaçu: 134mm - quarta maior do ano no Estado. Várzea Alegre (114) e Granjeiro (112.2) também se destacaram. Segundo o supervisor da Unidade de Tempo e Clima da Funceme, Raul Fritz, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema indutor das precipitações na quadra chuvosa, voltou a se aproximar do Estado e todas as condições oceânicas e atmosféricas estão favorecendo
as chuvas para os próximos dias. "A tendência para as primeiras duas semanas de abril é que as condições favoráveis continuem", afirma Fritz.
Apesar das chuvas nos primeiros dias, o mês de abril, que tem volume médio de 188mm, pode apresentar irregularidades em todas as regiões. Além disso, o afastamento da ZCIT, que afetou o volume em março - 40,7% abaixo da média histórica - pode acontecer também neste mês. "Isso não é raro", reconhece.
A previsão para hoje é de nebulosidade variável com possibilidades de chuvas em todas regiões ao longo do dia. Já amanhã, a chuva poderá aparecer em todas as regiões do Ceará. No Cariri, onde mais choveu nos primeiros dias de abril, a tendência é de precipitações menores a partir de maio, já que elas costumam começar mais cedo que em outras localidades do Ceará.
Estragos
Cenário pouco diferente dos meses anteriores, as chuvas de 55mm na madrugada de ontem, em Juazeiro do Norte, voltaram a causar problemas em vários pontos da cidade. Alguns são antigos, mas se agravaram nestes primeiros dias de abril. As avenidas Leão Sampaio (CE-060), ligação com Barbalha; e Padre Cícero (CE-292), que liga ao Crato, novamente ficaram alagadas, deixando o trânsito congestionado e veículos ilhados. Isso não foi diferente na Rua Domingos Sávio, que liga os bairros Timbaúbas e Pio XII, onde a lâmina de água atingiu uma altura de 40cm pela manhã. Um pouco mais longe dali, na Av. Virgílio Távora, que liga o Centro ao Aeroporto, uma moto foi arrastada pela correnteza, mas, com ajuda dos moradores, o condutor e o veículo foram resgatados. As duas vias são cortadas pelo Riacho das Timbaúbas.
Já na Rua N. S. Do Carmo, no bairro Franciscanos, uma árvore caiu e interditou a via. Longe dali, no bairro Salesianos, uma cratera se abriu na Rua das Dores, pouco mais três metros das casas. Segundo o comerciante Cícero Cruz Landim, nas chuvas de fevereiro, um pequeno buraco já tinha se formado. "Está se aproximando da minha residência. Aqui tem muito movimento porque faz o acesso ao Anel Viário que vai para o Crato e Caririaçu", explica.
Em nota, a Prefeitura disse que técnicos da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) foram pela manhã à Rua das Dores e até o fim da tarde de ontem o serviço seria concluído. Também pela manhã, a Secretaria de Meio Ambiente e Serviços Públicos (Semasp) retirou a árvore que da Rua Nossa Senhora do Carmo.
Aporte
Com as chuvas do último domingo e de ontem, 77 reservatórios registraram aporte segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O maior deles foi no Açude do Rosário, em Lavras da Mangabeira, com 3.179.738 m³ de água. O Araras, em Varjota, também teve boa recarga, 2.448.209 m³. Já o Acaraú Mirim, em Massapê, atingiu o seu volume máxim