sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Aprece contesta Cremec sobre registro de médicos no Interior

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Print - Diário do Nordeste 
A Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece) e o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Estado do Ceará (Consems-CE) contestam os dados estatísticos do Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec) de julho deste ano, em matéria publicada pelo Diário do Nordeste, ontem, a respeito das 34 cidades cearenses sem o registro de médicos fixados e em atuação. Conforme a Aprece, todos os municípios do Estado possuem médicos em atendimento à população.

A Aprece apresentou números do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) - sistema base de operacionalização de dados em saúde para gerenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS)- apontando que o grupo de 54 municípios que teriam apenas um ou dois médicos, conforme relatório do Cremec, possuem, na verdade, 443 profissionais somente do Programa de Saúde da Família (PSF), além dos outros 432 médicos clínicos disponíveis. "E isso sem mencionar as especialidades médicas", comenta o conselheiro financeiro da Aprece, Irineu Carvalho.
Cadastro
André Carvalho, também conselheiro da Associação, explica que um médico pode pertencer a uma localidade, mas dá plantão em várias outras cidades de uma mesma região. "Pode ser que no CRM eles registrem ele apenas numa cidade e não registrem nas outras, isso pode acontecer. Mas nos dados do governo federal se ele esteve no Município e recebeu por ele, consta aqui no CNES, é um cadastro automático", esclarece.
Dados acerca do número de profissionais médicos já haviam sido passadas de forma errônea à imprensa pelo Cremec no Ceará, há cerca de dois anos, segundo afirma o presidente do Consems-CE), Josete Tavares. Uma reunião a ser realizada hoje, detalha ele, deve resultar no direcionamento de uma nota ao Conselho solicitando a reanálise das informações.
"Quando isso aconteceu pela primeira vez fizemos uma representação, fomos ao Cremec, lá eles se retrataram publicamente e mandaram um ofício ao jornal pedindo desculpas. Essa nova informação é completamente equivocada. A base confiável de dados é o sistema do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. Sem o registro atualizado de quem são os seus profissionais os municípios sequer conseguem manter o recebimento dos recursos para financiar a atenção primária", informa.
Esclarecimentos
Em nota encaminhada ao Diário do Nordeste, a Prefeitura de Quixeló - localidade apontada na lista do Cremec com apenas um médico - afirma que os dados informados não correspondem com a verdade dos fatos, havendo 22 médicos no Município, sendo seis na Atenção Básica e 16 na Atenção Secundária. Segundo a nota, o jornal não "aponta a fonte dos dados apresentados na publicação", mas esta informação consta no primeiro parágrafo da matéria, veiculada nesta quinta-feira (9).
O Município de Tamboril, com dois médicos, segundo o Cremec, informou, também por meio de nota, disse existir 31 médicos exercendo a função na Cidade. "Doze deles pertencem à Rede de Atenção à Saúde Primária, sendo alocados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Nove, provenientes do Programa Mais Médicos e três brasileiros contratados. Já na Atenção Secundária, 19 médicos compõem o setor. Nove realizam atendimento especializado no Hospital Regional de Tamboril, um no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e um na Secretaria de Saúde. Os outros oito, atuam em regime plantonista no Hospital Regional de Tamboril", diz a nota da Prefeitura.
Em entrevista ao jornal, ontem, o secretário-geral do Cremec, Lino Antônio Cavalcanti, disse que a relação disposta no site da entidade com o título "Total de Médicos por Município" se refere ao "registro de médicos que residem na cidade e não que trabalham", disse.
O representante do Conselho explica que mais de 90% das cidades estão com suas equipes de PSF completas, mas que nem todos residem no local de trabalho. "A grande maioria dos que trabalham em cidades pequenas mora em cidades grandes. As vezes temos sete e oito equipes completas numa cidade mas nenhum profissional mora lá", afirma Cavalcanti

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